domingo, 14 de outubro de 2012

Hoje o céu ofereceu...



Este fim-de-semana foi em Idanha-a-Velha




De longe pouco se via, mas ao passar a curva, a terra apareceu. Idanha-a-Velha acolheu este fim-de-semana a Festa do Pão. Durante o tempo de exposição várias barracas expunham os produtos regionais ao mesmo tempo que a alegria dada por um grupo de batuques preenchia a atmosfera do espaço pequeno, mas muito acolhedor. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Há músicas...



... Que são mais que músicas.
... Que são mais que letras.
... São momentos.
... São épocas.
... São nostalgia.
... São felicidade.

O estado da aldeia


É cada vez mais flagrante o abandono e o vazio que as aldeias portuguesas estão a viver nos dias de hoje. Estão a ficar sem jovens, sem vida, sem movimento. 
Longe do mundo que está para além da periferia da vivência, ou até da convivência, o povo vive o dia-a-dia sem preocupações, sem pressas (para quê?) e sem jovens.
As pessoas de fora começam a ser estranhas para a calçada gasta pelo tempo e pelo uso de outrora. Os velhos que ficam perguntam, com mais frequência, "quem é aquela(e) menina(o)?" "de quem é filha(o)?" expectantes por verem uma cara que lhes é nova, que lhes é fora do seu círculo de caras diárias.
A aldeia anda a ficar com menos caras novas e quando as vêem é por um curto espaço de tempo.  
Não querem saber porque não conhecem. 
Não gostam de estar cá porque não têm com quem conviver. Têm os dias vazios, tal como os velhotes da aldeia.
A cada Verão que passa, já não é cheio, já não é feito de amores e desamores, das primeiras festas, das primeiras saídas, da expectativa da próxima festa, das tardes de calor em excesso, das parvoíces de quem não tem nada para fazer, dos percursos longos de bicicleta, das canções que nos enchem a voz e o coração... Enfim, eternos momentos que ficaram para sempre no coração de quem os viveu, de quem os sentiu em pleno e por fim, de quem sabe o gosto de que é ter uma terra para viver as férias de Verão.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Há coisas que nos passam ao lado


O aluno do ISCSP que terá assobiado e insultado o primeiro-ministro foi alvo de um inquérito  disciplinar. Aqui está um procedimento potencialmente arriscado. Dêmos graças a Deus pelo "numerus clausus", porque se todo o povo português pudesse frequentar o ISCSP, a Portucel não conseguiria produzir resmas suficientes para registar tanto processo. Impossibilitado pelo regulamento académico de inquirir toda a população de Portugal, o presidente do ISCSP teve de contentar-se com uma única inquirição.
Infelizmente, as notícias sobre o caso não revelam o teor do insulto proferido. Numa altura em que milhares  de cidadãos se manifestam com sanha, gritam palavras de ordem azedas, concebem cartazes obscenos e ainda injuriam avulsamente no dia-a-dia, um rapaz de 20 anos onsegue congeminar um insulto que se destaca de todos os outros. Que estupenda ignomínia foi essa? Os jornais não dizem, o que é significativo do estado em que se encontra o jornalismo português. 
Do ponto de vista académico, o jovem merece menos um inquérito do que um louvor. Para um estudante de um instituto de ciência política, insultar o primeiro-ministro não é passatempo, é dissertação; não é protesto, é TPC. Além disso, o insulto foi tão bem concebido que chamou a atenção de um segurança do primeiro.ministro, que, perante a gravidade da ofensa, se sentiu na obrigação de ser, mais do que guarda-costas, guarda-dignidades.
É possível que o insulto permaneça na obscuridade por acção zelosa dos serviços secretos. Se uma ofensa desta dimensão caísse no domínio público, qualquer cidadão poderia utilizá-la, em todo o lado e a toda a hora, mortificando continuadamente a honra do primeiro-ministro. Trata-se, pelos vistos, de um enxovalho de maledicência maciça, e não admira que tenha sido decidido, ao mais alto nível, abafá-lo.
Em defesa do estudante, tem sido dito que o governo também insulta os portugueses. E deu-se como exemplo a recente intervenção de António Borges, segundo o qual os empresários portugueses críticos da TSU não passariam do primeiro ano do curso que lecciona na universidade. Ora, sucede que isto não é um insulto. António Borges não está a sugerir que os empresários não seriam capazes de obter a licenciatura. Não passar do primeiro ano não impede ninguém de tirar o curso. Miguel Relvas não passou do primeiro ano e nem por isso deixou de se licenciar. Temos mesmo de parar de ser tão sensíveis.


Ricardo Araújo Pereira